Da infância à maioridade
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21 de fevereiro de 1917 - Nasce Dora Vivacqua,
em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Era madrugada
de uma segunda-feira de carnaval. Dora foi a décima quinta
filha de Etelvina e Antônio Vivacqua. Tinha adoração
pela irmã Mariquinhas Vivacqua (“queria que ela fosse sua mãe”),
musa de Carlos
Drummond de Andrade.

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29 de agosto de 1932 - Antônio Vivacqua,
pai de Dora, é assassinado em Cachoeiro do Itapemirim por pessoas
que, dias antes, ele havia despejado de um dos seus inúmeros
terrenos. Rubem Braga e seu irmão, Newton Braga, foram os primeiros
a chegar ao local do crime. Dora estava com quinze anos e se sentia
sufocada na pequena Cachoeiro. Nem mesmo Vitória lhe era conveniente.
Queria ir para o Rio de Janeiro. Abominava o uso do sutiã.
Desfilava pela praia de Marataízes de calcinha e bustiê
improvisado com lenços quando o biquini ainda estava
longe de constar do vocabulário nacional. Com a morte de Antônio,
Etelvina volta para Belo Horizonte. Dora também, mas logo em
seguida vai para o Rio, então capital federal, sob a tutela
de seu irmão Attilio.
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Janeiro de 1936 - Dora está com 19
anos e vive um romance - inicialmente comemorado e agora já
intolerado - com José Mariano Carneiro da Cunha Neto que pertencia
a uma das mais importantes família do Rio. Attilio manda-a
de volta para Minas onde sua irmã Angélica flagra -
em sua própria cama - seu marido Carlos, um dos maiores empreiteiros
do Brasil à época, bolinando Dora. A maior parte da
família preferiu acreditar nas mentiras de Carlos e tomou Dora
como esquizofrênica. Isso lhe custou dois meses de internação
no Hospital Psiquiátrico Raul Soares, em Belo Horizonte, e
dez quilos a menos.
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1936 - Seu irmão Achilles enfrentou
Carlos e o proibiu de voltar à casa dos Vivacqua (o que não
aconteceu até que Achilles morresse em dezembro de 1942). Preocupado
com o estado que Dora saíra do hospital, Achilles a convence
a passar uma temporada na fazenda de Archilau, outro irmão,
quatorze anos mais velho que ela. Tinha liberdade até que apareceu
como “Eva” - com três folhas de parreira presas nos seios e
no púbis e duas cobras-cipós como braceletes - para
o filho do administrador da fazenda, responsável em acompanhá-la
onde quer que fosse. Quando repreendida por Archilau, jogou-lhe um
vaso de cristal na testa. Toda essa rebeldia causou uma segunda internação,
desta vez na Casa de Saúde Dr. Eiras, famosa clínica
psiquiátrica do Rio de Janeiro. Achilles intervém mais
uma vez e Mariquinhas resgata Dora, levando-a para morar com ela em
Cachoeiro. Por pouco tempo. Dora foge para o Rio.
Novembro de 1937 - Dora está mais uma vez no Rio. Retoma
seu romance com Mariano mas não aceita oficilizar a relação.
Aventurou-se como pára-quedista, mas foi logo proibida por Mariano.
Apaixonada, aceitou e viu no pedido uma demonstração de
amor. As desavenças começariam quando decidiu fazer um
curso de dança na academia Eros Volúsia.
O surgimento de Luz del Fuego

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