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Notícia do resgate dos corpos no Jornal do Brasil - 2 de agosto de 1967
O texto original foi mantido.

Pescador foragido confessa que matou Luz del Fuego com cumplicidade do irmão

Niterói (Sucursal) - Ao contrário do que disse à polícia anteontem, ao ser preso, o pescador Alfredo Teixeira Dias, foragido do Presídio-Geral do Estado do Rio, acabou confessando a autoria do assassinato de Luz del Fuego e do vigia Edgar, com a cumplicidade do irmão, Mozart Gaguinho. A confissão foi feita ontem, na delegacia de Vigilância e Capturas de Niterói.

     O pescador, que está prêso na Secretaria de Segurança Fluminense, declarou ao delegado Godofredo Ferreira da Silva Filho que êle e o irmão praticaram o crime na noite do último dia 19, entre as Ilhas do Sol e das Capuanas de Baixo. Revelaram que a vingança foi o motivo do assassinato, pois “há tempos Luz del Fuego nos denunciou”.

COMO FOI

     Em seu nôvo depoimento, Alfredo Teixeira Dias revelou que no dia 19, por volta das 18 horas, partiu com o irmão para a Ilha do Sol, onde não puderam desembarcar porque os cães da ex-vedete logo notaram a presença de estranhos. Conseguiram entretanto, com todo cuidado, cortar a corda que amarrava uma canoa de Luz del Fuego. Levaram-na até a Ilha das Capuanas, já planejando atrair a ex-vedete para uma armadilha.

     Mozart Gaguinho gritou então, chamando Luz del Fuego, que logo apareceu, de calça, à beira do cais, com um revólver calibre 38 na mão e perguntando o que “havia”. Gaguinho respondeu que a sua canoa se afastara.

     Disse Alfredo que Luz del Fuego não relutou em embarcar na canoa dos dois, a fim de recuperar a dela. Pouco depois, Mozart Gaguinho pediu que Luz del Fuego lhe entregasse a arma. Nesse momento, Alfredo deu uma pancada em sua cabeça, com um cacete. Em seguida, mais dois golpes fatais.

     Deixaram o corpo na Ilha das Capuanas de Baixo e voltaram à Ilha do Sol, onde chamaram o vigia Edgar. Pediram que êle trouxesse uma corda e um remo, a fim de que a canoa de sua patroa fôsse rebocada. Edgard, segundo disse Alfredo, não veio com os objetos solicitados, mas com uma foice. Hesitou um pouco, mas decidiu entrar no barco de Alfredo e Gaguinho, sentando-se entre os dois.

     Os dois cadáveres, colocados em uma baleeira com algumas manilhas e duas enormes pedras, depois de retiradas as vísceras, à faca, foram ao fundo a 200 metros da Ilha do Sol para onde, em seguida, Alfredo e seu irmão se dirigiram, assaltando a casa da vítima. Levaram para a Ilha do Pontal tudo que haviam encontrado de valor - uma radiovitrola, dois rádios de pilha portáteis, uma máquina de costura e NCr$ 80,00 (oitenta mil cruzeiros antigos) , encontrados numa bôlsa, sob um travesseiro. Apanharam ainda um lampeão a gás, várias tarrafas de nylon, um binóculo e os óculos de Luz del Fuego.

     Afirmou ainda Alfredo que, na madrugada do dia 21, Mozart Gaguinho o levou da lha do Pontal para a Ilha do Governador.

     Disse que há cerca de sete meses, Luz del Fuego indicou à Polícia o lugar onde êle, foragido do Presídio-Geral do Estado, estava escondido. Entretanto, Alfredo conseguiu “enganar as autoridades”. Quanto ao irmão, Luz del Fuego entregou-o certa vez à Polícia Marítima, que só não o prendeu devido a uma interferência do guarda portuário Hélio Luís.

NA PISTA DE GAGUINHO

     Mozart Gaguinho foi localizado ontem à noite, por policiais da Delegacia de Vigilância Fluminense, mas conseguiu fugir pelos fundos de uma casa, na Praia da Luz, em São Gonçalo, rompendo o cêrco a tiros e desaparecendo ao subir o Morro da Luz.

     Uma pessoa que deu alimentação ao criminoso foi quem levou a Polícia até onde êle se encontrava.

Marinha achou corpos perto da Ilha do Sol

     Os homens-rãs da Marinha retiraram às 13h30m de ontem os corpos de Luz del Fuego e do vigia Edgar do fundo da Baía da Guanabara, a menos de 100 metros da Ilha do Sol.

     Três lanchas do Corpo Marítimo de Salvamento auxiliaram os homens-rãs em seu trabalho, que durou várias horas e foi realizado sob a orientação de Alfredo Teixeira Dias, autor do crime, mas que dizia antes da confissão ter apenas ajudado a fazer desaparecer os cadáveres.

A LONGA BUSCA

     Os corpos permaneceram submersos durante 13 dias e foram encontrados ontem, finalmente, cortados de alto a baixo no abdome, cheios de pedras e amarrados à baleeira.

     O guarda portuário Hélio Luís, ex-amante de Luz del Fuego, e considerado como o principal suspeito até ontem, participou dos trabalhos de busca dos corpos nas proximidades da Ilha do Sol.

     As primeiras pistas que a Polícia obteve foram fornecidas pelo próprio Hélio Luís, que estêve durante uma manhã inteira à procura da amante. Na ocasião, levantou a possibilidade de assassinato e acusou o delinquente Mozart Gaguinho da autoria do crime.

 

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